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|Política|
27-07-2010 - 17:03h
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Em ano de eleição, fala-se muito em política, discute-se muito política, e como se faz política no Brasil, mas afinal de contas o que é política? Muitos autores dão a entender que a política trata da ciência ou da arte da administração da coisa pública. Penso que a política também seja a arte e a ciência de tornar públicas aquelas coisas que são importantes para toda a coletividade, aquilo que pertence ao interesse geral e ao Bem Comum. Consiste, neste sentido, numa arte ou habilidade, na eficiência ou na transparência, e por isso fiscalizada, da administração da coisa pública. Um político é um indivíduo de decisão, eficaz e eminentemente dedicado à coisa pública, sabendo-se sempre que “república” se constitui através do interesse de todos. Por isso, o Congresso não é exatamente um palco. A política é ação social, tendo em vista os problemas estruturais da sociedade. Não se constitui apenas da cobrança dos impostos e da manutenção do poder do estado. Em todas as sociedades a política é constituída, fundamentalmente, pelo poder que se manifesta e se oculta, que se esconde e se apresenta. É uma relação social concreta onde nasce e acontece o poder, é uma relação de um indivíduo sobre o outro ou entre iguais. Ela aparece nas relações entre Estado e sociedade, executivo e legislativo, executivo e judiciário, entre militares e civis, poder estabelecido e poder submetido ou submisso. Em todo o caso, o poder político é e se constitui numa relação social de poder. Mas, se a política é um componente da vida real, de todas as relações humanas, por que nós brasileiros temos certas resistências aos políticos, ao mundo político? Um descrédito, um certo rancor e um pouco de agressividade até? Isto se deve ao fato de o mundo político ser um mundo de promessas não cumpridas, de negociatas onde são favorecidos os ricos e as multinacionais. E, sobretudo, porque ao povo parece que o mundo político resguarda a antologia do capital, um ser todo-poderoso, onipresente e onipotente. É que a política dos partidos dominantes é feita de modo autoritário e, além disso, permitindo toda a liberdade ao capital. E, de fato, no Brasil, o capital vai fundo no poder. Nosso discurso oficial é liberal. Na verdade é conservador e assistencialista. Assim, o capitalismo entre nós praticado é absolutamente selvagem. Ele nega o “nós”, afirmando somente o “eu”, anulando, portanto, o outro, aquele que produz o capital. Eles não apresentam os problemas estruturais da sociedade e do estado brasileiro, que é corrupto por natureza e produz a política corrupta.
Adriano Dias Chaves
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